1. Aspectos a serem abordados:
1.1. A evolução histórica da família. Passamos de uma família patriarcal para uma família nuclear (comunidade de vida e de amor). Na família patriarcal, o pai era o senhor absoluto sobre os membros da família e na família nuclear, o pai exerce mais uma função de autoridade educativa e de participação conjunta com a sua mulher. A família se torna uma comunhão de pessoas na busca da felicidade.
1.2.De outro lado, hoje,a família apresenta-se multifacetada, isto é, aquela imagem de família composta por pai-mãe e filhos, mudou muito. Temos famílias de mãe sozinha, de pai sozinho, de avós criando netos, de casais homoafetivos adotando e criando filhos. Há uma desagregação total da entidade famílial. E, tudo isso repercute na vida em sociedade, provocando a expansãodesenfeada das drogas e da violência, a promiscuidade entre pais e filhos, desregramento moral, etc.
1.3.Temos que considerar, que o fundamento da família, em primeiro lugar, é o casal, ou seja, a união fundada no amor entre o homem e a mulher (seja pelo casamento, seja pela união estável). Pois, em tendo a família a missão fundamental de educar, é pelo testemunho e o exemplo de vida dos pais, que se vai estabelecer a educação dos filhos e o ambiente na família. Todos aqueles valores morais, éticos e sociais, que vão estruturar a personalidade dos filhos, passa pela convivência harmoniosa na família, especialmente, em vendo, sentindo e aproveitando o exemplo e o testemunho dado pelos pais. Portanto, temos duas realidades, harmoniosamente dinâmicas, na vida familial: a vida conjugal e a vida de família. Se a vida conjugal está bem (o casal está feliz) a família vai bem, e se desenvolve plenamente, caso contrário, teremos filhos desajustados.
1.4.Hoje, mais do que nunca, aos pais estão tendo grandes dificuldades para exercer o seu papel de educadores essenciais. Alguns fatores levaram a isso: o trabalho extra-lar da mulher; a influência dos meios de comunicação social; a liberação dos costumes morais (de uma liberdade conservadora a uma libertinagem); o despreparo dos pais na direção educativa dos filhos (a questão do exercício da autoridade/limites).
1.5. E, o papel do pai, como pode ser definido, na sociedade de hoje:
1.5.1. A presença e a participação do pai na educação dos filhos é fundamental, pois através de uma relação afetiva e moral, o pai transmite valores importantes na formação da personalidade dos filhos, como autoridade, honestidade, liberdade com responsabilidade, solidariedade, espírito religioso, respeito, amizade, etc.
1.5.2. A falta de uma boa identidade com a figura paterna, leva, muitas vezes, os filhos a tornarem-se agressivos, revoltados e violentos. Numa pesquisa recente feita nos Estados Unidos, entre um grande grupo de presidiários, ficou constatado que a maioria deles ingressou no mundo do crime, por falta de um pai a quem pudessem se identificar ou por terem sido criados sem pai. Hoje, existem muitos filhos órfãos de pais vivos (pais ausentes, indiferentes, omissos, acomodados)
1.5.3. A figura paterna, no mundo de hoje, é considerada pela Psicologia e pela Pedagogia, como a mais importante na formação estrutural da personalidade dos filhos, especialmente do seu caráter.
1.5.4. Nunca esqueçam, que mais do que dizer, a educação na família, especialmente,é dada pelo testemunho de vida dos pais, onde o pai tem uma importância fundamental. No momento que o pai perde o respeito e a confiança (credibilidade) dos filhos, começa a derrocada da família.
1.5.5. Eis algumas recomendações na educação dos filhos, extraídas do Livro “Filhos Felizes”, de Ofélia Boisson Cardoso, Ed. Conquista, 1960:
- nunca haja sob o impulso de emoções, por certo ocorrerá excessos;
- não discuta e nem desmoralize o outro diante dos filhos;
- reflita, antes de tomar uma decisão e, tomada não volte atrás;
- não faça comparações entre os filhos;
- não ameace e nem prometa nada (a ameaça atemoriza e a promessa poderá frustrar o filho);
- não fale demais e nem grite; fale num tom normal, demonstrando afeto;
- não use a crítica exagerada (critica o ato, a ação praticada; não critique a pessoa); evite criticar na presença de outros; não critique sem antes conhecer os fatos; use, mais o estímulo e o elogio, do que a crítica em si mesma.
- cria o hábito da disciplina e da ordem;
- ensine o hábito da oração.
Telmo Antônio de Souza